montauk train on track “B.”



dois mil e sete

quando saí de campo grande achei que tudo mudar. eu ia prum colégio novo, ia atrás de gente nova. ia ser eu mesma e pela primeira vez ia ser a daniela, e não a irmã do leandro.

por outro lado, eu ia deixar algumas pessoas que eu tinha demorado muito tempo pra achar, e aquilo me deixava bem dividida. não sabia como ia administrar direito coisas a distância.

tava “namorando” quando saí de lá. entre aspas mesmo porque era uma coisa tão ridícula que nem eu entendia, me enrolava pra explicar e queria chorar toda vez que me perguntavam “mas você ficou com ele só um dia? e tá namorando?”. de qualquer forma, com esse tal namorinho eu aprendi algumas vezes. caí, levantei (sempre quis usar essas palavras sem parecer auto-ajuda demais) e enfim. hoje rende algumas histórias como “mas o cara tinha filho?”.

estudei demais também. como nunca tinha estudado. quando fui conhecer o tal colégio que uma amiga antiga, da quarta série, estudava fiquei toda empolgada. tava afim de estudar, de dar o meu melhor e, quem sabe, passar no meio do ano na unb. ha, doce ilusão.

aquilo ali era o inferno. aquelas merdas de provas toda sexta-feira a tarde me faziam estudar a semana inteira pra tirar cinco (valendo vinte). não deu outra: todo dia chegava em casa e chorava. não sabia o que fazer, minhas notas nunca tinham sido tão baixas. meu boletim chegou com três, quatro e nunca tinha sido abaixo de seis.

é, foi um caos. eu realmente nao tinha base alguma, e ficou evidente que eu passei o segundo ano inteiro colando e conversando. mas isso não era coisa do leandro? não, a daniela, filha perfeita, também fazia.

na tentativa de não ter que enfrentar essa de estudar MAIS ainda, eu achava que meus problemas acabariam se eu morasse em campo grande. porque lá sim eu iria bem no colégio, e passaria na universidade federal. ( e pra mim era tudo isso que eu precisava na vida). depois de muito chorar e blablabla, me mandaram pra lá: seriam uns dias super fodas com minha melhor amiga e iria rever um tal garoto que eu tive uma históriazinha. eu mal ia saber que aqueles dias de maio em campo grande iriam mudar tanto o meu ano. eu acabei voltando a ficar com o garoto e mesmo tendo que voltar pra brasília a gente continuou a nossa histórinha.

não demorou muito pra que a gente começasse a namorar, mesmo a distância. isso foi em junho. aí eu já tinha amigos aqui, muitos até, e tava bem feliz com isso. quem me conhece sabe e entende o porquê. aí começar um namoro de verdade, com alguém real, e que me conhecesse de verdade só aumentou ainda mais o gás pra continuar a me esforçar no colégio.

aí, a partir do segundo semestre minha vida parece que mudou completamente. não só por tá toda felz e apaixonadinha, mas tambem porque eu tinha vários amigos. como toda sexta tinha prova a tarde, era quase lei sair do colégio e ir tomar cerveja debaixo de algum bloco. lá a gente conversava, se conhecia, zuava. muitas pegações e namoros sairam de lá graças a quem a quem? a daniela que queria fazer todo mundo ser feliz que nem ela era :P

enfim. todo mês meu namorado vinha pra cá e a gente tinha as semanas mais fodas do mundo. aí rolou o show do incubus que foi perfeito. rio de janeiro, apartamento vazio, metro, andar por aí. tudo isso com pessoas fodas eram a perfeição pra mim. aquela viagem deu muuuuuuuito gás pra continuar a encarar meu fracasso no colégio.

aí começou a fuder tudo. parece que quando se tem tudo de uma vez, felicidade e tal, murphy fica puto e tira tudo de uma vez também. provas provas trabalhos apresentações…o mundo caindo aqui.

mas, graças a deus, e o esporro do meu pai nas diretoras, deu tudo certo. passei sem recuperação depois de estudar atoa. perdi a inscricao pro vestibular, ou seja: só em julho. e isso tá me deixando mais nervosa ainda HAHAHa :/

fui pra campo grande, passei mais dias perfeitos com meu namorado e passei o natal aqui.

domingo volto pra cg pra poder começar outro ano :)

2008 e tal, e se continuar nessa, vai ser muito bom :)

fim.


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