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oral-b
ela trocava de namorado quando sua escova de dentes dava o sinal. lá pelo finalzinho do segundo mês quando reparava que sua escova estava desgastada, as cerdas tortas e a cor do cabo enjoativa sabia que tinha chegado a hora de se despedir, do cara e da própria escova. inventava uma razão qualquer, separava os cds, casacos, cuecas e canecas do outro-qualquer numa sacola grande e se despedia com um beijo no pescoço, finalizando o abraço de adeus. a noite, sozinha, pensava sobre a escova, e no que ela representava: o começo da crise-dos-quatro. e ela se considerava a garota mais feliz por que possuia um termômetro certeiro de relacionamentos.
a escova a poupava das briguinhas bestas e cansativas que sempre chegam no quarto mês de namoro. as pequenas coisas da rotina que começam a irritar. a pasta de dente destampada, os cabelos no chão, a toalha molhada na cama, as migalhas de pão no requeijão, os copos de restinho de água espalhados pela casa… isso tudo a escova previa e alertava pro término… tudo isso somado a rotina e a briga pelo controle remoto e a maldita tampa da privada acabam com qualquer namorozinho fraco, dizia a escova.
num clima de abandono, bati a porta segurando na janela aberta. esperei por quatro segundos que ele se dirigisse a mim. pedindo desculpas, agradecendo, falando qualquer merda que provavelmente ficaria na minha cabeça por meses tentando encontrar algum significado. influência de filmes, claro. esperar que após uma madrugada de sexo sem beijos e vodka barata ele olharia pra mim, e enxergaria beleza numa garota descabelada, suja de motel e com olhos borrados, era querer muito. eu era mesmo muito idiota. ainda devo ser.
dois mil e sete
quando saí de campo grande achei que tudo mudar. eu ia prum colégio novo, ia atrás de gente nova. ia ser eu mesma e pela primeira vez ia ser a daniela, e não a irmã do leandro.
por outro lado, eu ia deixar algumas pessoas que eu tinha demorado muito tempo pra achar, e aquilo me deixava bem dividida. não sabia como ia administrar direito coisas a distância.
tava “namorando” quando saí de lá. entre aspas mesmo porque era uma coisa tão ridícula que nem eu entendia, me enrolava pra explicar e queria chorar toda vez que me perguntavam “mas você ficou com ele só um dia? e tá namorando?”. de qualquer forma, com esse tal namorinho eu aprendi algumas vezes. caí, levantei (sempre quis usar essas palavras sem parecer auto-ajuda demais) e enfim. hoje rende algumas histórias como “mas o cara tinha filho?”.
estudei demais também. como nunca tinha estudado. quando fui conhecer o tal colégio que uma amiga antiga, da quarta série, estudava fiquei toda empolgada. tava afim de estudar, de dar o meu melhor e, quem sabe, passar no meio do ano na unb. ha, doce ilusão.
aquilo ali era o inferno. aquelas merdas de provas toda sexta-feira a tarde me faziam estudar a semana inteira pra tirar cinco (valendo vinte). não deu outra: todo dia chegava em casa e chorava. não sabia o que fazer, minhas notas nunca tinham sido tão baixas. meu boletim chegou com três, quatro e nunca tinha sido abaixo de seis.
é, foi um caos. eu realmente nao tinha base alguma, e ficou evidente que eu passei o segundo ano inteiro colando e conversando. mas isso não era coisa do leandro? não, a daniela, filha perfeita, também fazia.
na tentativa de não ter que enfrentar essa de estudar MAIS ainda, eu achava que meus problemas acabariam se eu morasse em campo grande. porque lá sim eu iria bem no colégio, e passaria na universidade federal. ( e pra mim era tudo isso que eu precisava na vida). depois de muito chorar e blablabla, me mandaram pra lá: seriam uns dias super fodas com minha melhor amiga e iria rever um tal garoto que eu tive uma históriazinha. eu mal ia saber que aqueles dias de maio em campo grande iriam mudar tanto o meu ano. eu acabei voltando a ficar com o garoto e mesmo tendo que voltar pra brasília a gente continuou a nossa histórinha.
não demorou muito pra que a gente começasse a namorar, mesmo a distância. isso foi em junho. aí eu já tinha amigos aqui, muitos até, e tava bem feliz com isso. quem me conhece sabe e entende o porquê. aí começar um namoro de verdade, com alguém real, e que me conhecesse de verdade só aumentou ainda mais o gás pra continuar a me esforçar no colégio.
aí, a partir do segundo semestre minha vida parece que mudou completamente. não só por tá toda felz e apaixonadinha, mas tambem porque eu tinha vários amigos. como toda sexta tinha prova a tarde, era quase lei sair do colégio e ir tomar cerveja debaixo de algum bloco. lá a gente conversava, se conhecia, zuava. muitas pegações e namoros sairam de lá graças a quem a quem? a daniela que queria fazer todo mundo ser feliz que nem ela era
enfim. todo mês meu namorado vinha pra cá e a gente tinha as semanas mais fodas do mundo. aí rolou o show do incubus que foi perfeito. rio de janeiro, apartamento vazio, metro, andar por aí. tudo isso com pessoas fodas eram a perfeição pra mim. aquela viagem deu muuuuuuuito gás pra continuar a encarar meu fracasso no colégio.
aí começou a fuder tudo. parece que quando se tem tudo de uma vez, felicidade e tal, murphy fica puto e tira tudo de uma vez também. provas provas trabalhos apresentações…o mundo caindo aqui.
mas, graças a deus, e o esporro do meu pai nas diretoras, deu tudo certo. passei sem recuperação depois de estudar atoa. perdi a inscricao pro vestibular, ou seja: só em julho. e isso tá me deixando mais nervosa ainda HAHAHa :/
fui pra campo grande, passei mais dias perfeitos com meu namorado e passei o natal aqui.
domingo volto pra cg pra poder começar outro ano
2008 e tal, e se continuar nessa, vai ser muito bom
fim.
well well well…
ahahah tem algum problema eu ter vergonha do que eu mesma escrevi há um ano?
tudo bem que na época que eu escrevi eu quis dizer todas aquelas palavras – e todas, todas as indiretas – mas enfim, so much drama ein!
quem diria, quem diria. passou o tal ano e bem, daniela, você se enganou. SUA LOSER
por ironia do destino você se encontra perdidamente – e ridiculamente – apaixonada. mas beeem mesmo, daqueles jeitos que você sempre fazia piadas e jurava que jamais ficaria, sabe qualé? e sabe qual é o mais engraçado? tudo isso pelo garoto pra quem você escreveu tudo isso aqui. ééé daniela, indiretas são seu forte, huh?
pois bem, menininha apaixonadinha nhénhénhé: há quem pense em você antes de dormir, e o pior (naquela sua cabecinha) VOCÊ também pensa nele até adormecer. e não pára por aí: seus planos tão sendo feitos em conjunto, sempre visando a felicidade eterna com o tal namoradinho. well well well, look what happened with you, huh?
sete meses, ein
quem diriiia
frigideira.
e agora senhoras e senhores, mais um punhado de palavras não-polidas e muito menos medidas despejadas nesse espaço em branco que só me faz ficar mais irritada ainda porque não consigo organizar tudo que passa pela minha cabeça.
eu tenho a impressão que tem haver com uma série de coisas que eu tenho percebido há alguns meses. que eu sempre quis dar uma de ‘to nem aí’ (por favor, não lembre de musiquinha.) mas hoje, conversando, eu percebi que essa de tentar ignorar o fato de estar sozinha (odeio ODEIO essas duas palavras juntas. its so much drama!) é algo tão comum quanto se achar a pior pessoa do mundo.
seria bem mais fácil eu culpar todo o resto do mundo. as pessoas que não conseguem “me entender” (odeio essas também), as pessoas que são complicadas demais e blablabla. mas não dá mais. (pelo menos não hoje.) eu que sonho demais, que fico fantasiando histórias e coisa e tal (malditos filmes que me fazem achar que aquilo ali é possível.)
não sei, eu cheguei num ponto onde a vida de qualquer, QUALQUER pessoa é mais interssante que a minha, e que é claro que ele tenha alguém. chega a ser absurdo, eu vejo qualquer pessoa na rua, sei lá, atravessando a rua falando no celular, por exemplo. já imagino que ela tá falando com o namorado, e que eles fazem milhoes de coisas legalzinhas e ela é a pessoa mais feliz do mundo.
aí eu paro e penso: porra, se até ela, porque não eu? que que eu fiz? e em questão de cinco minutos (que é o tempo que a paranoia dura) eu repasso minha vida toda, e vejo o que eu fiz de errado.
aí eu começo a pensar no que eu queria, e vejo que na verdade eu queria aquela história ali, daquela outra pessoa.
na boa? não existe. tem amor de mãe, de amigo, de filho, de anima de estimação, de internet, de objeto, de tudo. meeeenos dealguempradaniela.
eu não consigo me ver com alguém sem pensar “ah, é mentira. ele ta comigo pra não ficar sozinho que nem eu. somos dois interesseiros e ninguém nunca vai falar isso.”
não consigo pensar na idéia de que alguém pode pensar em mim antes de dormir. ou quando acontece algo muito estranho ou engraçado, pensar automaticamente “cara, tenho que contar pra daniela” e ficar pensando em formas e formas de contar pra tornar mais legal, ou ouvir uma música e lembrar de algum momento, sei lá. tudo que eu fiz um dia achando que tava certo.
tá, pode parecer baixa auto-estima (dá pra entender né!) mas não é. eu só acho que não existe isso tudo.
é tudo criado por filmes e livros pra deixar a gente mal
(hoje é dia 20/10. vamos ver se ano que vem tudo muda)
bolo de cenoura com chocolate.
ela queria achar um motivo pra tudo isso. repetia na sua cabeça, como num mantra “eu nunca mais vou deixar isso acontecer.”
não era sua culpa, ou até era. não percebia como se machucava sozinha, criando expectativas e inventando significados ocultos em simples frases ditas com a maior inocência.
já tinha sido alertada do perigo que corria, mas ignorou o aviso e continuou no seu mundinho paralelo, onde tudo se encaixava e completava, como um quebra-cabeça, com imperfeições que se encaixam perfeitamente. esperava sua história começar pra valer, e nesse tempo de espera colecionava fatos e tirava fotos mentais de quase tudo, para em futuro bem próximo poder mostrar toda sua coleção do início de um quase-algo quando o assunto surgisse numa tarde de quinta-feira deitados, um ao lado do outro, ouvindo algum cd de músicas estranhas.
pra ela tava tudo esquematizado, tudo planejado. iria falar tal coisa, pra isso ligar aquela coisa e ele pensar mais tarde naquela outra coisa e… pensar nela.
fazia links, falava coisas no ar pra mais tarde ele perguntar, músicas com significados escondidos, implicações bobinhas pra não deixarem de se falar, brincadeiras inocentes mas premeditadas visando sempre algo a mais.
até que ela acordou disso tudo. aliás, foi acordada, duma maneira que a fez desistir de tudo. viu que não valia pena, que tinha deixado de viver muita coisa pra ficar formulando frases com duplo sentido.
tinha perdido tempo de sua vida, por mais que isso nunca tenha sido problema. aí percebeu que não podia culpar ninguém, afinal foi tudo imaginado por ela.
viu que a história se repetiu, se sentiu a garota mais boba do mundo. e aí adormeceu.
e eu tento te mostrar uma versão editada de mim mesma.
um dia você me entende. ou não, e aí eu edito de novo.
hit me with your smile again
oi. eu sou a dani chata. diz:
um dia eu ainda faço uma musica chamada SERENDIPITY!
o menino q diz NI!!! diz:
e eu ainda queria duvidar que foi destino
que derrubei meus livros por acaso (continua)
oi. eu sou a dani chata. diz:
que seria como outro dia qualquer
indiferente ao futuro
o menino q diz NI!!! diz:
pensei que continuaria a esperar
serendipity, a garçonete me ofereceu mais chá
mas já não conseguia esquecer
que a estrela q explodiu lá no começo
traçou o nosso encontro como deus